Spellbreak – Análise
Tendo em consideração o género de Spellbreak, é difícil não estabelecer paralelismos com a concorrência; difícil mais ainda não abrir uma análise com este tipo de introdução. Os “battle royale” apareceram como que por magia sem que ninguém desse por isso. No entanto, onde outrora o campeão indisputado Fortnite reinava ao lado do revolucionário PLAYERUNKNOWN’S BATTLEGROUNDS (ou PUBG), agora até o modesto Tetris tem uma oferta neste círculo. O espaço dos “battle royale” encontra-se cada vez mais preenchido, mas Spellbreak traz algo de novo à fórmula.
Fora os elementos típicos, como a tempestade que diminui o tamanho do mapa ou a procura frenética por objetos pelo campo, Spellbreak diferencia-se pelo combate. Onde muitas apostas ainda recorrem ao uso de armas militares de uma ou outra época, aqui os duelos são resolvidos através de manifestações mágicas; quase como um jogo de luta no universo de Avatar: The Last Airbender. O jogo conta com seis luvas enfeitiçadas dos mais variados elementos: Vento, Terra, Elemento Tóxico, Gelo, Fogo e Trovão. Cada um destes dispõe de dois ataques variados em forma e execução, cada um deles dependente de um recurso que regenera passado um ou dois momentos. À disposição encontra-se ainda a capacidade de flutuar, o que pode recordar jogos mais focados em combates numa arena, como Quake.

No entanto, a verdadeira magia de Spellbreak consiste em combinar dois elementos. Aproveitar uma nuvem tóxica com uma bola de fogo permite criar uma explosão enorme, algo que nunca se torna repetitivo. Graças a este fator estratégico, o jogo encara uma outra dimensão de profundidade que transforma os duelos em acontecimentos muito interessantes. Contudo, durante as partidas um dos objetivos é abrir baús e cofres, detentores de melhorias para a nossa personagem. Equipar botas permite, por exemplo, uma travessia mais rápida. Destaca-se também o sistema de subida de nível em cada partida. Cada vez que atravessamos a barreira considerada segura no mapa, a personagem recebe melhorias nos elementos que carrega consigo.
Infelizmente e após várias partidas, o mapa não surpreende. Comece onde começar, é difícil identificar a localização do jogador. Para uma corrida contra o relógio como são os “battle royales”, saber onde nos encontramos é uma vantagem mas em Spellbreak é difícil diferenciar um sítio do outro. No entanto, apesar de não ser propriamente único ou reconhecível, a verticalidade do mapa é muito bem-vinda e oferece bastantes oportunidades para o jogador se esconder e fugir dos adversários.

Após cada partida é demonstrado um painel de resultados, estatísticas que contribuem diretamente para o nível geral do jogador em forma de experiência e para o elemento escolhido. A cada nível desbloqueiam-se características apelativas; Spellbreak até dispõe uma lista de missões para seguir mas ainda assim as coisas parecem ínfimas e inconsequentes. Mesmo após uma dezena de duelos há pouca razão para continuar a jogatina senão melhorar o que já foi mencionado, pois nem os cosméticos são muito interessantes ou apelativos para esvaziar a carteira. Alguns jogos dentro do género colocam uma espécie de “battle pass” temático para atribuir uma meta ao jogador. Talvez a equipa de Spellbreak, engenhosa como é, vai conseguir construir algo novo e revolucionário para assegurar o seu lugar como uma aposta segura do meu tempo e dedicação.
A nível técnico é claro como água que a Nintendo Switch proporciona a experiência visual menos vistosa. Contudo, e para minha alegre surpresa, muitos dos combates apresentam um equilíbrio respeitável entre desempenho e aspeto visual, tanto no ecrã da consola como na televisão. Infelizmente o mesmo não se pode dizer da interface gráfica do jogo. Fora os ícones mais relevantes para o combate, tudo é muito pequenino e irrita ao ponto de se querer jogar na televisão o mais rapidamente possível. Fora o que já foi referido dos mapas, tudo o resto tem um aspeto fantástico, como já é característico do motor gráfico Unreal, com destaque especial para os feitiços lançados.
CONCLUSÃO
CONCLUSÃOPontos positivos
- Bom desempenho
- Combate mágico e divertido
- Elemento estratégico com os vários elementos
Pontos negativos
- Poucas metas por atingir
- Apresentação do mapa
- Interface gráfica muito pequena
Analisar um videojogo é como uma experiência gastronómica: pode correr muito bem, muito mal ou não correr de todo. Pelo menos é o que este membro da equipa acredita. No entanto, nunca deixará que a sua fome altere os critérios de análise. Pelo menos não muito.