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A Space for the Unbound – Análise

A Space for the Unbound coloca o jogador no papel de Atma, um adolescente prestes a atingir a idade adulta e que em breve terá de se confrontar com uma realidade que vai mudar para sempre o rumo da sua vida e a de todos os que o rodeiam.

Situado numa cidade rural na Indonésia no final do século XX, Atma e a sua namorada Reya fizeram uma lista conjunta de objetivos a cumprir antes que o seu período escolar obrigatório acabe. Embora todas as tarefas pareçam ser simples, cada uma acaba por se desenrolar de forma imprevisível, habitualmente com ênfase numa personagem e/ou num tema específico que a ela diz respeito. É importante frisar que vários dos temas tratados não são de todo ligeiros, incluindo representações de ansiedade, desespero e suicídio que podem ferir a suscetibilidade de alguns jogadores.

A jogabilidade replica as mecânicas de jogos de aventura clássicos, com o jogador a dividir o seu tempo entre mover-se de um lado para o outro em busca do próximo objetivo, e “puzzles” que surgem ocasionalmente entre estas deslocações. As horas iniciais são divertidas, não só pela exploração da cidade – que é renderizada num estilo “pixel art” colorido e cheio de pormenor – mas também graças às potenciais interações e diálogos com todos os habitantes (e bastantes gatos, por algum motivo).

No entanto é um ciclo que acaba por se tornar aborrecido, e que se encontra cheio de peripécias implementadas para abrandar o avanço do jogador. Nem todas estas situações são aborrecidas, e algumas delas conseguem ser divertidas no contexto próprio ou com a personagem envolvida, mas são elementos na sua maioria desnecessários, que apenas prolongam uma história que já não seria nada curta por si só. O ritmo de certos capítulos oscila assim de forma algo errática, um problema que é particularmente relevante no capítulo final, onde o jogador espera perder menos tempo em atividades redundantes.

Os “puzzles” são mecanicamente muito simples, tratando-se na sua grande maioria de problemas de lógica. No entanto, existem algumas exceções, sendo que alguns deles contêm minijogos que são bastante eficientes em tornar a experiência mais variada. Onde os “puzzles” mais sobressaem é na apresentação, refletindo sempre uma situação e/ou personagem a que estão associados de forma muito criativa, e que costumam passar por representações bizarras e exageradas da realidade.

Como já foi referido, este é um jogo vistoso, e que tira partido de uma direção artística à base de “pixel art” para ilustrar os acontecimentos. As animações são expressivas e cheias de pormenor, e concedem às personagens um apelo irresistível. A componente sonora está igualmente bem implementada, desde as composições musicais aos sons que permeiam o ambiente, particularmente em cenários de chuva.

A Space for the Unbound não é uma recomendação fácil. É um jogo que requer alguma paciência, uma vez que não avança ao ritmo que seria desejado, fruto da forma artificial como o enredo é prolongado com obstáculos e objetivos menos interessantes. Mesmo assim, trata-se de uma experiência muito recompensadora para os fãs de propostas mais tradicionais entre jogos de aventuras, e que não se importem com os momentos redundantes que o jogo inevitavelmente oferece.

CONCLUSÃO

CONCLUSÃO
7 10 0 1
A Space for the Unbound é uma aventura repleta de surpresas e emoções, e que certamente vai agradar aos fãs de jogos de aventuras. Por outro lado, o ritmo de progressão algo errático e a falta de mecânicas de jogabilidade mais desenvolvidas não abonam a seu favor no que toca a captar um público mais abrangente.
A Space for the Unbound é uma aventura repleta de surpresas e emoções, e que certamente vai agradar aos fãs de jogos de aventuras. Por outro lado, o ritmo de progressão algo errático e a falta de mecânicas de jogabilidade mais desenvolvidas não abonam a seu favor no que toca a captar um público mais abrangente.
7/10
Total Score

Pontos positivos

  • Direção artística fantástica
  • Enredo memorável

Pontos negativos

  • Ritmo de progressão errático
  • Jogabilidade pouco desenvolvida

Diogo Caeiro

Insiste diariamente na superioridade da série Metroid Prime. Habitualmente ocupado a salvar o mundo de mais um deus irado, pausando ocasionalmente para redigir a sua próxima crónica.

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