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Warriors: Abyss – Análise

Os jogos “musou” encontram-se muito bem representados na Switch. Estas experiências onde o jogador enfrenta dezenas e centenas de inimigos com um elenco de personagens à disposição têm a vantagem de ser entusiasmantes e de nos atirarem para o meio de uma ação frenética. Se os dois Hyrule Warriors têm a honra de ser os “musou” mais conhecidos para a Switch, não faltam outros exemplos no catálogo da consola, alguns mais ambiciosos que outros.

Este Warriors: Abyss é um “spin off” da série Warriors, um dos estandartes da KOEI Tecmo que conta com uma série de jogos “musou” no portefólio, e que aqui apresenta um leque de personagens dos jogos Dynasty Warriors e Samurai Warriors. Se fôssemos fazer uma lista de todos os jogos que já foram feitos sob aqueles dois nomes teríamos material para encher grande parte deste texto. Basta dizer então que Warriors: Abyss está aqui a fazer um pouco de “fan service” ao combinar personagens daquelas duas séries.

Warriors: Abyss começa por nos largar no inferno onde o rei, sob a forma de uma jovem mulher, foi destronado por alguém ainda mais poderoso e agora requer a nossa ajuda. Não é propriamente um enredo digno de um Óscar para o Melhor Argumento Original, mas não é isso que se espera daqui. A introdução dura o tempo necessário e o tutorial ensina-nos as mecânicas mais importantes de forma competente, embora também nos bombardeie com informação que de início nos é algo indiferente. A mecânica do jogo não tem nada que adivinhar: vamos confrontar hordas de inimigos incessantes e temos de os eliminar fazendo uso das nossas técnicas. Estas incluem não só técnicas de combate, mas também a realização de formações com outras personagens que vamos desbloquear à medida que avançamos. Uma vez que esta obra assume os contornos de um “roguelite”, vamos realizar o nosso percurso fazendo uso da tentativa e erro: morrer faz parte da experiência, mas pouco a pouco, chegamos mais longe. No total, o jogo conta com quatro mundos e cada mundo tem oito níveis, sendo que no último nível de cada mundo defrontamos o “boss”. Felizmente tudo decorre com controlos muito simples, bem apurados e que se portam bastante bem.

À medida que eliminamos inimigos vamos também apanhar objetos que nos permitem melhorar os nossos indicadores e desenvolver habilidades novas. O elenco gigantesco de personagens, uma centena no total, permite-nos fazer um melhor uso destas expansões para as habilidades e técnicas, já que cada personagem tem os seus pontos fortes e fracos. Por outro lado, a diferença acaba por não ser muito significativa à medida que avançamos. Warriors: Abyss não é um jogo que exija uma grande reflexão estratégica, e vamos exercitar muito mais os dedos e os reflexos do que o raciocínio. Isto não significa que não apresente qualquer desafio: no início a experiência corre melhor se prestarmos atenção à mecânica de combinar personagens cujas habilidades se complementem e com uma boa relação entre elas. Esta mecânica não é inédita. mas é adição bem-vinda ao jogo. Por outro lado, é difícil não pensar que o jogo se sobrestima a si mesmo, e que a quantidade de indicadores que nos aparecem no ecrã em relação às personagens e às suas habilidades podia ser mais reduzida em nome da simplificação.

À partida, Warriors: Abyss é divertido. Não é uma experiência em grande profundidade, mas dá uma certa satisfação massacrar centenas de criaturas inimigas e fazê-lo no espaço de tempo mais curto possível. É também interessante acumular novas habilidades e expansões e formar grupos de aliados que se complementem para ataques mais eficazes. O problema é que esta satisfação não demora até se tornar numa repetição excessiva. É verdade que a mecânica base não tem muito mais por onde explorar, mas para um jogo com uma centena de personagens e com tantos elementos próprios, não vai demorar muito até deixarmos de fazer uma grande distinção entre eles, e isto aplica-se tanto às nossas personagens como aos inimigos, que ao fim de não muito tempo parecem uma massa bruta e amorfa. Mesmo ao desbloquear personagens novas com habilidades mais ambiciosas, e ao executar “combos” mais impressionantes, é impossível evitar a repetição que depressa se torna monótona. Como consequência, é normal querer passar dois ou mais dias sem pegar no jogo, e começar a pensar que é uma tarefa pesada. E embora a dificuldade seja construtiva, no sentido em que vamos avançar um pouco mais à medida que nos tornamos mais experientes, não é um jogo que nos deixe muito entusiasmados ou desejosos de o terminar.

Devemos também ter em conta que a dimensão audiovisual de Warriors: Abyss é competente, mas não é extraordinária. Os cenários têm pouco que os faça sobressair, e os inimigos, como já foi referido, rapidamente se tornam demasiado semelhantes. A banda sonora não é magistral, mas consegue transmitir o ambiente que se espera de um jogo como este, enquanto as vocalizações estão em japonês (o texto encontra-se traduzido numa série de línguas onde não se inclui o português). Pela positiva destaca-se um bom desempenho, o jogo continua a correr sem problemas mesmo com o ecrã cheio de gente em movimento.

CONCLUSÃO

CONCLUSÃO
6 10 0 1
Warriors: Abyss é um “roguelite” da série Warriors que preenche as casas habituais. Ação frenética, hordas de inimigos a eliminar, muitas personagens e muitos elementos a ter em conta. O desempenho é bastante bom e a dificuldade bem apurada. Infelizmente a experiência torna-se muito repetitiva em pouco tempo, e rapidamente damos por nós a fazer um serviço de piloto automático, sem grande distinção de personagens, o que é uma pena e não é compensado pelo enredo, que mal nos lembramos que existe. Warriors: Abyss tem o seu interesse, mas não é um jogo onde devemos investir toda a nossa energia.
Warriors: Abyss é um “roguelite” da série Warriors que preenche as casas habituais. Ação frenética, hordas de inimigos a eliminar, muitas personagens e muitos elementos a ter em conta. O desempenho é bastante bom e a dificuldade bem apurada. Infelizmente a experiência torna-se muito repetitiva em pouco tempo, e rapidamente damos por nós a fazer um serviço de piloto automático, sem grande distinção de personagens, o que é uma pena e não é compensado pelo enredo, que mal nos lembramos que existe. Warriors: Abyss tem o seu interesse, mas não é um jogo onde devemos investir toda a nossa energia.
6/10
Total Score

Pontos positivos

  • Desempenho muito bom
  • Elenco de personagens enorme
  • Boas mecânicas de alianças e benefícios

Pontos negativos

  • Ação demasiado repetitiva
  • Pouca distinção entre as personagens
  • Cenários pouco inspirados

João Dias

Apreciador de jogos de outras épocas, não diz que não a uma boa obra dos nossos tempos. Diz-se que é por ele que passam os textos antes da publicação, o que significa que é uma espécie de boss final da escrita para os outros membros da equipa.

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